A ozonioterapia pode reduzir a dor causada por hérnia de disco lombar, e é uma das indicações mais pesquisadas da técnica. Os estudos mostram alívio da dor em boa parte dos pacientes, mas a qualidade das pesquisas ainda é limitada e os resultados variam entre as revisões. Ela entra como tratamento complementar, depois de uma avaliação que confirme a origem da dor.

Se você recebeu o laudo de uma ressonância com a palavra "hérnia", a primeira pergunta costuma ser se vai precisar de cirurgia. Na maioria dos casos, não. Uma revisão sistemática publicada em 2015 na Clinical Rehabilitation encontrou regressão espontânea em 70% das hérnias do tipo extrusão e em 96% das sequestradas, justamente as que costumam causar mais dor (Chiu e cols., 2015). Por isso o tratamento inicial é conservador: controle da dor e retorno gradual ao movimento. A dúvida seguinte é o que ajuda nesse período. É aí que a ozonioterapia aparece.

O que o laudo de hérnia significa

O disco fica entre as vértebras e tem um núcleo gelatinoso envolvido por um anel fibroso. Na hérnia, parte desse núcleo sai do lugar e pode encostar em uma raiz nervosa. A dor não vem só da compressão: substâncias inflamatórias liberadas pelo material do disco irritam o nervo. Isso explica por que hérnias pequenas às vezes doem muito e hérnias grandes, às vezes, quase nada.

O laudo sozinho não define o tratamento. Uma revisão com exames de 3.110 pessoas sem dor nas costas encontrou protrusão discal em 29% das que tinham 20 anos e em 43% das que tinham 80 (Brinjikji e cols., 2015). O que importa é se a imagem combina com os sintomas: dor que desce pela perna, formigamento em uma região específica, perda de força ou de reflexo.

O que dizem os estudos sobre ozonioterapia na hérnia de disco

A pesquisa sobre o tema existe há mais de duas décadas, e três revisões ajudam a entender o estado atual:

  • Uma revisão sistemática de pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP, publicada em 2012 na revista Pain Physician, concluiu que a injeção de ozônio parece trazer resultados positivos, com baixa taxa de complicações, na dor lombar crônica por hérnia de disco. Os autores apontaram que não havia estudos comparando com placebo (Magalhães e cols., 2012).
  • Uma meta-análise de 2024, com estudos prospectivos, encontrou melhora média de 4,25 pontos na escala de dor de 0 a 10 e nenhuma complicação relatada. Os autores pediram novos ensaios de alta qualidade para confirmar o resultado (Kumar e cols., 2024).
  • Outra meta-análise do mesmo ano, que comparou o ozônio com o tratamento usual em 1.711 pacientes com dor lombar, encontrou benefício pequeno e inconsistente: melhora de função em um mês e nenhuma diferença clara na dor ao final (Llombart-Blanco e cols., 2024).

A diferença entre essas conclusões tem explicação. Os estudos misturam técnicas diferentes: injeção dentro do disco, feita por médico com imagem, e aplicação na musculatura ao lado da coluna, chamada paravertebral. Também misturam pacientes com causas diferentes de dor lombar. Quando a revisão compara o ozônio com outro tratamento ativo, em vez de comparar com antes e depois, o efeito fica menor.

Nossa leitura desses dados: a ozonioterapia faz sentido como parte do cuidado em quem tem dor lombar ou ciática com relação clara com a hérnia e ainda sente dor apesar das medidas iniciais. Ela não deve ser vendida como alternativa garantida à cirurgia.

Como é feita a aplicação

Na Clínica Corpo e Pele, a técnica usada é a paravertebral: pequenas quantidades da mistura de oxigênio e ozônio medicinal são aplicadas com agulha fina na musculatura ao lado da coluna, próximo ao nível da hérnia. A injeção dentro do disco é um procedimento médico, feito em ambiente hospitalar com radioscopia, e não é realizada na clínica.

O número de sessões é definido na avaliação. É comum começar com sessões mais próximas e espaçar conforme a dor diminui. A ozonioterapia pode ser combinada com terapia neural e laserterapia.

O que não pode faltar no tratamento

A diretriz da Organização Mundial da Saúde para dor lombar crônica, publicada em 2023, recomenda educação sobre a dor, programas de exercício, terapias como manipulação e massagem, terapia cognitivo-comportamental e anti-inflamatórios. Desaconselha, para a maioria das pessoas, coletes, tração e analgésicos opioides (OMS, 2023). A ozonioterapia se soma a essa base. Ela não substitui o exercício.

Quando a hérnia exige avaliação médica urgente

Procure atendimento médico no mesmo dia se houver perda de força que piora na perna ou no pé, dormência na região íntima ou perda de controle da urina ou das fezes. Esses sinais indicam compressão importante e podem exigir cirurgia.

Perguntas frequentes

A ozonioterapia faz a hérnia sumir?

Não há comprovação de que a aplicação paravertebral diminua o tamanho da hérnia. O objetivo é reduzir a inflamação e a dor. Muitas hérnias diminuem naturalmente com o tempo, com ou sem tratamento.

A ozonioterapia evita a cirurgia de hérnia de disco?

Em parte dos pacientes, o controle da dor permite seguir com o tratamento conservador. Mas quem tem perda de força progressiva ou os sinais de alerta acima precisa de avaliação cirúrgica, e nenhuma terapia complementar muda isso.

Aplicação de ozônio na coluna dói?

A agulha é fina e o desconforto costuma ser breve. Pode haver sensação de peso ou dolorimento local por algumas horas.

Quem pode aplicar ozônio na coluna?

A Lei nº 14.648/2023 permite a ozonioterapia por profissional de saúde de nível superior inscrito em seu conselho, com equipamento regularizado na Anvisa, e exige que o paciente seja informado do caráter complementar do procedimento (texto da lei). Cada conselho define os limites de atuação: a injeção dentro do disco é ato médico.

Se a dor da hérnia ainda limita a sua rotina, separe o laudo e os exames que tiver e agende uma avaliação no tratamento para dor na coluna da Clínica Corpo e Pele, em Belo Horizonte. Se a dor desce pela perna, leia também nervo ciático inflamado.