A bag (bolsa) de ozônio é uma forma de aplicar ozônio medicinal em feridas sem agulha: o pé ou a perna fica dentro de uma bolsa plástica fechada, que recebe a mistura de oxigênio e ozônio por alguns minutos. No pé diabético, ela é usada como complemento ao curativo, ao controle da glicemia e ao acompanhamento médico, para ajudar no controle de microrganismos e na cicatrização.

Uma ferida no pé de quem tem diabetes cicatriza mais devagar por três razões que se somam: a circulação nos pés costuma ser pior, a glicose alta prejudica as células de defesa e a perda de sensibilidade faz a pessoa continuar pisando sobre a lesão sem sentir dor. A bag de ozônio atua sobre uma parte desse problema, a carga de microrganismos e a oxigenação local. As outras partes precisam de outros cuidados, e é por isso que ela nunca é usada sozinha.

Como funciona a bag de ozônio

O membro com a ferida é envolvido por uma bolsa plástica resistente ao ozônio, vedada acima da lesão. O gerador de ozônio medicinal preenche a bolsa com a mistura de oxigênio e ozônio, e a pele fica em contato com o gás por um tempo definido, geralmente entre 20 e 30 minutos. Ao final, o gás é aspirado e neutralizado antes de a bolsa ser aberta, para que ninguém o respire.

Algumas técnicas umedecem a pele antes, porque o ozônio reage melhor em superfície úmida. A concentração é escolhida conforme a fase da ferida: mais alta quando há infecção e tecido desvitalizado, mais baixa quando o objetivo é estimular a cicatrização.

O que a bag de ozônio faz na ferida

  • Reduz bactérias e fungos na superfície da lesão. O ozônio tem ação comprovada contra microrganismos em contato direto, inclusive alguns resistentes a antibióticos.
  • Favorece a oxigenação local. Tecido com pouco oxigênio cicatriza mal.
  • Ajuda na limpeza da ferida. Facilita a separação do tecido desvitalizado, que depois é removido no curativo.

Estudos clínicos com ozônio em úlceras de pé diabético mostram redução do tamanho da ferida e da infecção em comparação ao tratamento sem ozônio. São estudos de tamanho moderado, e o benefício aparece quando o ozônio está somado ao cuidado padrão.

O que a bag não substitui

Nenhuma ferida de pé diabético cicatriza bem sem estas bases:

  • controle da glicemia;
  • tirar o peso de cima da ferida, com calçado ou palmilha adequados;
  • avaliação da circulação, porque sem sangue chegando ao pé nenhuma terapia local resolve;
  • curativo correto e troca na frequência indicada;
  • antibiótico prescrito pelo médico quando há infecção profunda.

Ferida com cheiro forte, secreção, vermelhidão que se espalha, área escura ou febre precisa de avaliação médica no mesmo dia. Nesses casos, a demora pode custar parte do pé.

Quantas sessões são necessárias

No início, as sessões costumam ser mais próximas, duas ou três vezes por semana. Conforme a ferida melhora, o intervalo aumenta e o óleo ozonizado pode assumir o cuidado entre as sessões. O plano é revisto a cada retorno, com medição da ferida.

Perguntas frequentes

A bag de ozônio dói?

Não. Não há agulha e o gás não queima a pele na concentração usada. O que pode incomodar é a manipulação da ferida no curativo.

Posso fazer bag de ozônio em casa?

Não é recomendado. O ozônio que escapa da bolsa irrita os pulmões, e a concentração precisa ser controlada em equipamento adequado.

A bag de ozônio evita amputação?

Ela pode ajudar a cicatrizar feridas e a controlar infecção, o que reduz riscos. Mas quem evita amputação é o conjunto do cuidado: glicemia, circulação, calçado, curativo e acompanhamento médico. Nenhuma terapia isolada garante isso.

Leia também como são usados o óleo e a água ozonizados em feridas e escaras e lesões por pressão. Para saber como é o acompanhamento, conheça o tratamento de feridas e pé diabético na Clínica Corpo e Pele, em Belo Horizonte.