Ozonioterapia é o uso terapêutico de uma mistura de oxigênio e ozônio medicinal, produzida na hora em equipamento próprio e aplicada em doses baixas e controladas. No Brasil, a Lei nº 14.648/2023 autoriza seu uso como procedimento complementar, feito por profissional de saúde de nível superior. As indicações mais estudadas são dor musculoesquelética (coluna e articulações) e feridas de difícil cicatrização.

Quem pesquisa "o que é ozonioterapia" costuma chegar com três dúvidas ao mesmo tempo: se funciona, se é seguro e se vale para o seu caso. Este texto responde as duas primeiras com o que se sabe hoje. A terceira depende de avaliação, e explicamos por quê.

O que é o ozônio medicinal

O ozônio (O3) é uma molécula formada por três átomos de oxigênio. É o mesmo gás que forma a camada que filtra a radiação ultravioleta na atmosfera, e o mesmo que, respirado em ambientes poluídos, irrita os pulmões. Por isso a primeira regra da ozonioterapia é que o ozônio nunca é inalado.

O ozônio usado em tratamento não vem de cilindro. Ele é gerado no momento da aplicação, a partir de oxigênio medicinal puro, por um gerador de ozônio medicinal que controla a concentração, medida em microgramas por mililitro. A mistura final é quase toda oxigênio, com uma pequena fração de ozônio. Protocolos internacionais, como a Declaração de Madri sobre Ozonioterapia, definem faixas de concentração e volume para cada forma de aplicação.

Como a ozonioterapia funciona no corpo

O ozônio reage muito rápido. Em contato com o sangue ou com os tecidos, ele não circula como gás: reage em segundos com gorduras e antioxidantes presentes no local e gera pequenas quantidades de substâncias mensageiras, como o peróxido de hidrogênio e produtos da oxidação de lipídios. O pesquisador italiano Velio Bocci, um dos principais estudiosos do tema, descreveu esse processo como um estresse oxidativo leve e controlado.

Esse estímulo pequeno leva o organismo a reagir. Os efeitos mais descritos são:

  • ativação das defesas antioxidantes do próprio corpo;
  • modulação de substâncias ligadas à inflamação e à dor;
  • melhora da liberação de oxigênio pelos glóbulos vermelhos e da microcirculação;
  • ação contra bactérias, fungos e vírus quando o ozônio é aplicado diretamente em uma ferida ou superfície.

A dose decide tudo. Em concentrações baixas, o estímulo é terapêutico. Em concentrações altas, o mesmo gás causa dano. É por isso que a técnica, o equipamento e a experiência de quem aplica pesam tanto quanto a indicação (veja também por que dose e técnica fazem diferença).

Para que serve a ozonioterapia

A ozonioterapia é usada como tratamento complementar. Ela não substitui medicamentos, cirurgias ou o acompanhamento médico. As evidências variam bastante conforme o uso:

  • Dor na coluna e hérnia de disco: é uma das aplicações mais estudadas, com ensaios clínicos e revisões sobre injeções de ozônio na coluna para dor lombar e ciática. Veja tratamento para dor na coluna em BH.
  • Artrose e dor articular: há estudos com aplicação no joelho mostrando alívio da dor, principalmente a curto e médio prazo. Veja aplicação de ozônio no joelho.
  • Feridas de difícil cicatrização: pé diabético, úlceras venosas e lesões por pressão, com bag de ozônio e óleo ozonizado. Veja tratamento de feridas.
  • Dor crônica e fibromialgia: os estudos são menores e os resultados, mais variáveis. A ozonioterapia costuma entrar combinada com outras terapias. Veja tratamento da dor crônica.
  • Pele e couro cabeludo: acne, dermatite seborreica e caspa, com óleo ozonizado e aplicações locais.

Para doenças como câncer, doenças autoimunes ou infecções graves, a ozonioterapia só pode ser considerada como apoio ao tratamento principal, com conhecimento do médico responsável. Desconfie de promessas de cura para "mais de 250 doenças": não existe terapia que faça isso.

Como é feita a aplicação

A forma de aplicação é escolhida pelo objetivo do tratamento. As mais usadas são:

  • Aplicação local: pequenas quantidades da mistura são aplicadas com agulha fina no músculo, ao redor de uma articulação ou próximo à região dolorosa.
  • Bag (bolsa) de ozônio: o membro com uma ferida fica dentro de uma bolsa que recebe o gás por alguns minutos, sem agulha.
  • Óleo e água ozonizados: usados em curativos, na pele e em mucosas.
  • Via retal: insuflação de pequeno volume de gás por uma sonda fina, com efeito sistêmico. Leia como funciona o ozônio retal.
  • Auto-hemoterapia ozonizada: uma quantidade de sangue é misturada ao ozônio fora do corpo e devolvida pela veia. Leia o que é auto-hemoterapia ozonizada.

O detalhamento de cada via está em formas de aplicação da ozonioterapia.

Ozonioterapia tem efeitos colaterais?

Com dose e técnica corretas, os efeitos costumam ser leves e passam em pouco tempo: dor ou ardência no local da aplicação, pequeno hematoma e, na via retal, sensação de gases ou cólica leve. Algumas pessoas relatam cansaço no dia da sessão.

Há situações em que o tratamento não deve ser feito ou exige muito cuidado:

  • deficiência da enzima G6PD (favismo);
  • gravidez;
  • hipertireoidismo descompensado;
  • alterações importantes da coagulação ou plaquetas muito baixas;
  • infarto recente, instabilidade cardiovascular ou intoxicação alcoólica aguda.

Esses pontos são verificados na avaliação, antes da primeira sessão. É também por isso que a ozonioterapia não deve ser feita em casa com geradores comprados pela internet.

Quem pode aplicar ozonioterapia no Brasil

A Lei nº 14.648, de agosto de 2023, autorizou a ozonioterapia em todo o país como procedimento de caráter complementar. Ela exige duas condições: o procedimento deve ser feito por profissional de saúde de nível superior inscrito em seu conselho de classe, e o equipamento deve ter regularização na Anvisa.

Cada conselho define como seus profissionais atuam. O Conselho Federal de Enfermagem reconhece a atuação de enfermeiros capacitados. Na Clínica Corpo e Pele, as aplicações são feitas pela enfermeira Daniela Carmozina (Coren-MG nº 643896), pós-graduada em Ozonioterapia.

Quantas sessões são necessárias?

Não existe número fixo. Uma dor recente em uma articulação costuma responder de forma diferente de uma dor na coluna que dura anos, e uma ferida de pé diabético tem outro ritmo. O plano define a frequência inicial e é revisado a cada retorno, conforme a resposta.

Perguntas frequentes

Ozonioterapia funciona?

Para algumas indicações, como dor lombar por hérnia de disco, artrose de joelho e feridas crônicas, há estudos clínicos que mostram benefício como tratamento complementar. Para outras, a evidência ainda é pequena. O resultado depende da causa do problema e da resposta de cada pessoa.

Ozonioterapia dói?

As aplicações locais usam agulha fina e causam desconforto breve, que varia com a região. A bag, o óleo e a via retal não usam agulha.

Ozonioterapia é coberta pelo plano de saúde?

Em geral, não. O procedimento não faz parte do rol de cobertura obrigatória da ANS. Vale consultar o seu plano sobre a possibilidade de reembolso.

Posso fazer ozonioterapia em casa?

Não é recomendado. Geradores domésticos não têm controle de concentração adequado para uso em pessoas, e o ozônio inalado irrita os pulmões.

Se você quer saber se a ozonioterapia faz sentido para o seu caso, conheça como funciona a ozonioterapia na Clínica Corpo e Pele, em Belo Horizonte. Para aprofundar, veja também mitos e verdades sobre ozonioterapia.

Referências para leitura: Declaração de Madri sobre Ozonioterapia (ISCO3); Bocci, V. "Ozônio: um novo medicamento"; Lei nº 14.648/2023.